
Eu queria ser balaio
Balaio eu queria sê
Para andar de pendurado
Na cintura de você
Há quem diga que a quarta é o ápice da semana, dia do pico, antevéspera do “sextou”, dia de encontros, cinema e sofá. Como boa parte desta minha interessante vida, quarta não – quinta sim, só pra quebrar ditados, crendices e rotinas. Dia de padeiro, madrugar disposto a chegar no fim da tarde com a cesta cheia e voltar pra casa com ela vazia, de transformar ingredientes em aroma, ideias em realizações, pensamentos em planejamento: estruturar e equilibrar, medir, pesar, fermentar… pausa! O grande mistério: o crescimento, a fome da colônia em devorar o amido das farinhas e produzir o gás que vai deixar os filões fornidos. Na música, pausa é silêncio, música também. A sombra, o negro, a falta de luz faz da fotografia, pintura, da vida em si, um carrossel de relevo e volume. Necessária, essa pausa faz a parte dela na massa, na música, fotografia e na nossa vida. Aguardo o tempo e fermentação do pão de sexta com alegria e reflexão, exausto da maratona de ontem – acordar cedo, fazer as massas, os recheios, dobrar as massas, resfriar os recheios, enformar e começar a assá-los numa sequência para que as 18hs estejam todos “embalaiados” para as entregas.