entrei apurado em casa, o gato pardo, camuflado em noite acompanhou a pressa de chegar ao banheiro, alívio. Subi dois degraus, estava na vizinha do grupo do choro, um amontoado de estranhos que se conheceu no instituto Ling há pouco mais de um ano e que quinzenalmente se reúne pra tocar, cantar e principalmente conviver, um octeto. Outro dia escrevi que nasci no hospital público e coincidentemente nossos laços ficaram mais estreitos, a grande maioria também, nossa anfitriã desta noite nasceu no mesmo dia, ano, hospital e andar – coisas do destino que agora sim, vejo traçado em maternidade. Cantamos, tocamos, comemos e nos envolvemos como se amigos de muitos anos fôssemos – meus novos amigos íntimos de infância, (frase da saudosa Elba, que sempre me emociona quando lembro) dessa infância temporona que a música nos proporciona. Nossa órbita é essa e que maravilha poder dividir nosso tempo que começa a ficar mais precioso com gente tão distinta, leve e bonita. Sou muito agradecido por esses encontros, por essas pessoas que habitam e ilustram com seu colorido a minha linha de tempo. De volta à mesa da cozinha sinto os dedos exaustos de tocar minha craviola de muitas cordas por horas, os olhos cansados tal qual o corpo hidratado com um Merlot e água da pena. Vou me encontrar com meu sono em paz, de alma tranquila, feliz por ter vivido esse dia: frio, ensolarado e em boa companhia.
doze cordas
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Comentários
5 respostas para “doze cordas”
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Pois é, vizinho, lembro bem do dia q te reconheci… e coincidentemente estávamos pertinho de novo! Descoberta depois dos cinquentões!!!! Prazer enorme te reencontrar novamente! Ass. Vizinha de berçário
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reconheci é ótimo, cantando pelos corredores do hospital na praça do rosário – S2
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Realmente é um privilégio que a vida nos tenha oportunizado conviver com pessoas maravilhosas e de bom humor, pois músicos e seus convivas conseguem essa proeza de sorrir, cantar e ser feliz na música.
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Me orgulho de fazer parte deste pequeno grupo, animação e músicas garantidas.
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Que massa!!!
Sérgio tu é um querido, fiquei triste por ter perdido o encontro.
Mas a vida é dinâmica, noutra vez cantamos juntos.
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