maSSaroca

Das aquisições, um cilindro para comprimir, esticar as massas é o que estava faltando para a padaria artesanal ficar com uma cara mais profi, lá me fui à cata num desses sites de usados. E encontrei vários, cilindro é que nem baunilha, despencam modelos e marcas na tua tela, escolhido pela aparência o menos pior, pix na conta do feliz vendedor e cilindro embaixo do braço – pra cozinha. Tenho essa mania de pegar as coisas usadas e dar uma guaribada legal e deixar – no mínimo com a minha cara, o que – creio, aconteceu. Desmontei o equipamento e fiz uma limpeza minuciosa que tomou muito tempo, engrenagenzonas, engrenagens e engrenagenzinhas, dois cilindros de quase meio metro sobrepostos com uma cara de quem quer devorar teus dedos, além é claro de um motor quase sempre barulhento e alguns parafusos teimosos. Descobri entre outras coisas, que veio sem as duas proteções de segurança para as mãos.. pausa, eu toco … e esmagar dedos não é uma boa para quem precisa deles. Vou precisar de muita mas, muita atenção, voltemos a faxina: de barbantes, cotonetes, panos e estopas , várias, embebidas em álcool para deixar o maquinário pronto pra lida. Fim de limpeza, ele cintilante em cima da bancada de trabalho, por ali ficou um dia decorando a cozinha, hoje – dia de produção, vamos por à prova. Escolhi uma massa com hidratação media, polvilhei farinha na bancada, nos cilindros, no fogão, no chão da cozinha, até dentro das orelhas tinha farinha e liguei o bicho, o som do motor é sempre um pouco aterrorizante ( voltei a pensar nos meus dedos e na cara do meu professor me vendo com eles cheio de bandagens e tipoia) mas vamos lá, a massa faz um caminho inverso do que eu tinha visto em outros cilindros maiores, ela entra pela frente e temos que amparar a massa esmagada ( ai meus dedos, pensei de novo) na parte de trás, completamente às cegas. Me vesti de coragem e botei a língua da massa e ……bem, bem não, mal, muito mal ela simplesmente sumiu, não apareceu na parte de trás onde minha mão esperava e três segundos depois eu via os dois cilindros, as engrenagens tudo que eu havia limpado minuciosamente repleto e engolesmado de uma maçaroca esmagada, úmida e pegajosa – desliguei, sentei na minha cadeira, respirei e pensei cá com meus botões, é o aprendizado! Sísifo vai carregar a pedra de volta ao topo do morro.


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